terça-feira, 20 de setembro de 2011

Marthinha...

Marthinha, Marthinha, adoro!
Conheci a Martha Medeiros esse ano, um garoto me apresentou e desde então não consegui mais me desapegar, da Martha é claro.
O quão bom é poder ler algo e poder se identificar nele. Ver que você não sofre e nem ama sozinha. Existem mais pessoas no mundo, existem pessoas que amam, que choram, que sentem saudades, que gritam, que perdem a cabeça. 
Eu sou assim, toda apaixonada, toda intensa, me entrego muitas vezes sem olhar pro chão, achando que alguém vai me segurar a qualquer momento. Pois é, o problema que nem sempre me seguram. Quantas vezes eu cai, quantas vezes eu chorei, quantas vezes eu disse: Não quero mais me apaixonar! E do que adianta dizer tudo isso? Nada. Porque no fim acontece tudo de novo, acontece, repete, acontece de novo. Ás vezes é a minha vez de dizer não, ás vezes é a vez deles, nunca se sabe, só sei que uma hora a gente acerta. Só que o meu maior medo mesmo, é acertar errando, como vou saber se preciso ou não ir atrás?
Homem fala que não gosta de mulher fácil, minhas amigas dizem para eu não ir atrás e se ele estiver me esperando? Sou muito boba em acreditar nisso?
Quem eu achei que sempre estaria do meu lado para me apoiar, me segurar, me ajudar e crescer junto, não está mais. E eu achei que seria pra sempre e não foi. O que me deixa triste e ao mesmo tempo feliz é ver que ele conseguiu encontrar sua outra metade e eu, bom, eu estou aqui, sofrendo ainda...Procurando, procurando, procurando....

Enfim, hoje eu fico por aqui, meu humor está muito constatante.


"A DOR QUE DÓI MAIS
Trancar o dedo numa porta dói. Bater com o queixo no chão dói. Torcer o tornozelo dói. Um tapa, um soco, um pontapé, dóem. Dói bater a cabeça na quina da mesa, dói morder a língua, dói cólica, cárie e pedra no rim. Mas o que mais dói é saudade.
Saudade de um irmão que mora longe. Saudade de uma cachoeira da infância. Saudade do gosto de uma fruta que não se encontra mais. Saudade do pai que já morreu. Saudade de um amigo imaginário que nunca existiu. Saudade de uma cidade. Saudade da gente mesmo, quando se tinha mais audácia e menos cabelos brancos. Dóem essas saudades todas.
Mas a saudade mais dolorida é a saudade de quem se ama. Saudade da pele, do cheiro, dos beijos. Saudade da presença, e até da ausência consentida. Você podia ficar na sala e ele no quarto, sem se verem, mas sabiam-se lá. Você podia ir para o aeroporto e ele para o dentista, mas sabiam-se onde. Você podia ficar o dia sem vê-lo, ele o dia sem vê-la, mas sabiam-se amanhã. Mas quando o amor de um acaba, ao outro sobra uma saudade que ninguém sabe como deter.

Saudade é não saber. Não saber mais se ele continua se gripando no inverno. Não saber mais se ela continua clareando o cabelo. Não saber se ele ainda usa a camisa que você deu. Não saber se ela foi na consulta com o dermatologista como prometeu. Não saber se ele tem comido frango de padaria, se ela tem assistido as aulas de inglês, se ele aprendeu a entrar na Internet, se ela aprendeu a estacionar entre dois carros, se ele continua fumando Carlton, se ela continua preferindo Pepsi, se ele continua sorrindo, se ela continua dançando, se ele continua pescando, se ela continua lhe amando.

Saudade é não saber. Não saber o que fazer com os dias que ficaram mais compridos, não saber como encontrar tarefas que lhe cessem o pensamento, não saber como frear as lágrimas diante de uma música, não saber como vencer a dor de um silêncio que nada preenche.

Saudade é não querer saber. Não querer saber se ele está com outra, se ela está feliz, se ele está mais magro, se ela está mais bela. Saudade é nunca mais querer saber de quem se ama, e ainda assim, doer."
Martha Medeiros 


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